Sombra... sombra... no alcance da sombra... dessa sombra... cândida... lânguida... que acompanha.

Sereno da noite... diáfano.

Em meio desse expirar... inspirar...

Sombra... sombra... eu vejo o mundo... mesmo na sombra... eu vejo tudo... pelo brilho da alma... por que eu sou todo esse escuro... eu sou a chama da alma do mundo... da alma do todo.

Sombra... sombra... sombra...

para muitos tudo ainda está escuro... não para mim.

Expurgo

cansei dessa pasmaceira tosca que teima em segurar os tornozelos...
cansei dessa luta franca com a fraqueza, parece que teimo em permanecer parado no tempo...
cansei desse cativeiro escuro onde tranquei-me a certo tempo...
cansei desse dilema...


Acordo suado e ofegante...
Olho para os lados e vejo tudo no canto...
fora só um sonho falando do tempo em que eu acreditava estar morto.

אני מי הוא

O mago se desencantou... e a magia se anuviou entre seus dedos e por longo tempo ele relutou em retratar-se consigo.

Foi andando de um lado para o outro que ele reencontrou o sorriso descrente de outrora... concordando assim em desmascarar de uma vez o mito.

Desatou portanto o saquinho de ervas que trazia consigo e adocicou o paladar caindo em um devir entorpecido...

Sabendo ele que basta somente manter o foco ativo... manter o foco passivo... gerar um filho.

Ele saltou do alto querendo tocar o abismo pra rasgar do peito o temor enegrecido...

E no sangue reencontrar a luz que sempre o acalentou pelos caminhos e labirintos...

Voltando assim rejuvenescido... Fecha os olhos por instantes respirando o prana e o místico... expandindo a alma, reabrindo o livro... o seu próprio livro... vivo.